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O câncer de esôfago é uma doença na qual células malignas começam a se desenvolver no revestimento interno do órgão.

O esôfago é um órgão do aparelho digestivo que fica localizado entre a faringe e o estômago e que se estende por 25-35 centímetros. Trata-se de um tubo muscular essencial para o processo de digestão, responsável por conduzir o alimento da boca até o estômago.
O câncer de esôfago ocorre quando suas células desenvolvem mutações no DNA, provocadas por diversos fatores, como pelo refluxo gastro-esofágico (levando ao tipo conhecido como adenocarcinoma) e por agressão direta de fatores externos como tabagismo e ingestão de álcool por vários anos (neste caso, o carcinoma epidermóide é o tipo mais comum). As células que sofrem esse processo determinam o tipo de câncer que o paciente tem. Essas mutações fazem com que as células cresçam e se dividam a um ritmo acelerado e descontrolado. As que se acumulam formam um tumor no esôfago que pode se disseminar para outros órgãos e outras partes do corpo.
Sintomas:
Em sua fase inicial, o câncer de esôfago não apresenta quaisquer sinais ou sintomas. No entanto, com o progresso da doença, alguns sintomas característicos deste tipo de câncer começam a aparecer, como:
Dificuldade ou dor ao engolir
Dor torácica ou retroesternal (atrás do osso do meio do peito)
Sensação de obstrução à passagem do alimento
Náuseas e vômito
Perda de apetite e emagrecimento
Rouquidão
Na maioria das vezes, a dificuldade de engolir, também chamada de disfagia, é um sinal de que o câncer já se encontra em estado avançado. Por causa dos sintomas, é comum que pacientes com câncer de esôfago percam muito peso. Em casos extremos a perda pode ultrapassar até 10% do peso corporal habitual.
Diagnóstico:
O diagnóstico de câncer de esôfago é feito principalmente por endoscopia digestiva alta, um exame realizado por meio de uma câmera que investiga o interior do tubo digestivo, até o início do duodeno. Com o diagnóstico precoce, as chances de cura atingem 98%. Na presença de disfagia para alimentos sólidos, o que provavelmente significa que a doença encontra-se em estado mais avançado, é necessário um estudo radiológico mais amplo, com tomografias de tórax, abdômen e pelve, além de brondoscopia e, possivelmente, PET-CT (tomografia com emissão de pósitrons).
Tratamento:
O tratamento para câncer de esôfago pode ser feito em três abordagens distintas ou combinadas: cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Geralmente, uma combinação dos três tipos pode ser mais eficiente do que qualquer um deles isoladamente, mas o médico avaliará qual a melhor opção para o seu caso. Atualmente, os melhores guidelines recomendam radioterapia e quimioterapia incialmente (chamada ¨neoadjuvante¨), seguida de cirurgia. Este é o protocolo denominado CROSS TRIAL, que tem os melhores resultados em reduzir o tamanho do tumor, facilitando a cirurgia e aumento o tempo de sobrevida e o potencial de cura. Porém, cada caso deve ser avaliado individualmente. Além disso, a abordagem cirúrgica minimamente invasiva do esôfago é uma realidade nos melhores centros, em que opera-se o tórax por meio de uma câmera e pinças de até 12mm de extensão (toracoscopia), evitando a morbidade de uma toracotomia convencional. Na sequencia, o abdômen também é operado de forma semelhante (laparoscopia). A recuperação em UTI sempre se faz necessária, bem como alimentação por sondas digestivas, nos primeiros dias.
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